Mães adotivas podem amamentar?

Vários procedimentos podem realizar o sonho da amamentação para as mães adotivas

O senso comum nos faz acreditar que uma mãe adotiva não pode amamentar, mas com uma boa orientação médica e vários procedimentos é possível dar o peito para os seus filhos e tornar o sonho real. A idade da criança também é um fator determinante. Quanto mais novos, mais chance de o processo dar certo.

A fundadora da Mommy’s Angel e consultora materno, Cíntia Matieli, explica que um dos principais métodos que faz com que uma mãe adotiva possa amamentar é o estímulo. “Massagear e estimular a glândula mamária é muito importante para o aleitamento”, afirma.

Segundo Cíntia Matieli, a produção do leite materno é fruto de um estímulo repetido. Ao sugar o seio, o bebê ajuda a mandar uma mensagem para a hipófise, no cérebro. É ela que avisa que é preciso começar a produção do leite. “A vontade de amamentar e o contato físico com o bebê influenciam a amamentação”, explica.

Outro fator a ser levado em consideração é o tempo de preparação. “Mulheres que conseguem se preparar durante a gestação da mãe biológica podem conseguir amamentar mais rápido”, recomenda a consultora materno infantil.

As mães adotivas devem procurar a ajuda de profissionais da área de saúde para iniciar o processo. Médicos e enfermeiros especialistas em amamentação e em bancos de leite deverão orientar quais são os melhores procedimentos, inclusive poderão indicar à terapia hormonal e ao uso de bombas tira-leite. O ideal é usá-las dois meses antes de começar a amamentar, porque o método estimula a secreção do hormônio prolactina, que incentiva o corpo a produzir mais leite.

Medicamentos

A consultora materno infantil também recomenda que a medicação deve ser prescrita por médicos e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Há vários remédios como, por exemplo, os galactogogos que estimulam a secreção da prolactina, ou a metoclopramida ou a domperidona. Além disso, há também a medicação homeopática à base de alfafa, que estimula a secreção de prolactina.

Procedimento com uso de sonda

A técnica consiste em oferecer leite artificial ou humano (doado) ao mesmo tempo que o bebê suga o peito, lançando mão de um cateter acoplado externamente ao seio. A sonda conduz o líquido, armazenado em um recipiente, até a boca da criança, por conta da sucção. A forma de amamentar é ainda capaz de estimular o organismo da mulher a fabricar leite depois de um tempo, pois, quanto mais o bebê suga o peito, mais líquido é produzido.

Se o bebê estiver muito irritado ou ansioso para mamar, os especialistas indicam deixar que ele sugue o peito de 15 a 20 minutos sem a sonda, para estimular a produção de leite. Quando ele começar a reclamar, deve-se colocar a sonda junto ao seio, no canto da boca da criança.

Para potencializar a sucção, a mãe também pode interromper a mamada da criança de tempos em tempos. Basta dobrar um pouquinho a sonda, para não permitir que o leite passe, deixando o bebê sugar por mais tempo.

A indução à lactação não é privilégio somente das mães adotivas. De acordo com a consultora de aleitamento materno, a técnica também é válida para casais homoafetivos.

O método ainda pode ser usado em outros casos, por exemplo, quando o bebê é prematuro (nesse cenário, o termo é translactação). Mulheres que sofreram depressão pós-parto e pararam de amamentar por conta disso também conseguem retomar a amamentação graças ao uso da sonda (nesse caso, o procedimento é chamado de relactação).

Embora a indução à lactação apresente ótimos resultados, é preciso ter paciência para produzir o próprio leite. Algumas mães levam até quatro meses para alcançar esse objetivo. “O cansaço durante as madrugadas faz muitas desistirem de usar a sonda e recorrer à mamadeira”, diz.

Outro detalhe importante a ser considerado, é que nem sempre o resultado é próspero a ponto de a produção de leite dar conta da necessidade do bebê. Por isso, o uso de leite artificial pode ser necessário. Mas cada caso é um caso, tudo deve ser acompanhado pela consultora em amamentação e o pediatra da criança.

F: Mommy’s Angel e Portal Aleitamento

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *